Bom dia queridos amigos. Saudades, muitas saudades, embora eu tenha falado com alguns quando usei o computador de terceiros.
Ontem a velox até já havia melhorado, mas por causa de um acidente em que o ônibus derrubou o poste, ficamos sem luz de duas da tarde até a quase meia-noite e aí eu já havia ido me deitar porque estava com débito de sono em função do fim de semana. rs
Espero agora já voltar com a programação normal. o post de hoje já estava pronto no domingo e só agora ele sairá do forno.
Acabei de ler o livro Perdas & Ganhos – Lya Luft.
A autora nos mostra que ao longo da vida o que vivemos, o que aprendemos, o que escolhemos nos traz perdas e ganhos. Fala sobre como muitos de nós não sabemos amadurecer e muito menos envelhecer e com isso nos tornamos descrentes de que merecemos tudo que somos capazes de sonhar, buscar e lutar para conseguir.
Claro que acredito que não devemos nos perder de quem somos, de quem nos tornamos quando maduros ou velhos. Digo isso pois penso não ser adequado querermos competir com a juventude dos filhos ou de qualquer jovem de nosso convívio.
Lembro muito bem de quando minha mãe para se sentir mais jovem procurava apontar meus “defeitos”. E ainda hoje vejo mulheres “inconformadas” com o fato de eu “nessa” idade ainda querer namorar, fazer sexo ou ser feliz.. Como pode? Hoje já não podemos mais pensar nisso, nossos filhos são nossas prioridades, temos que viver para eles. Sinto-me uma ET por não pensar assim. Quero minhas filhas adultas, felizes, independentes e não uma desculpa para eu desistir da vida.
Do livro escolhi dois trechos para que juntos reflitamos. O primeiro é uma fábula.
... quando tocaram a campainha.
Vagamente irritado, pois já se atrasara bastante, ele abre a porta:
- Sim?
- O rapaz alto e estranho, andrógeno, belo e feio, alto e baixo, negro e louro,faz um sinalzinho dobrando o indicador:
- Vim buscar você.
- Não era preciso explicar, o homem entendeu na hora: o Anjo da Morte
estava ali, e não havia como escapar. Mas acostumado a negociações, mesmo perturbado ele rapidamente pensou que era cedo demais, e tentou argumentar:
- Mas, como, o quê? Agora, assim sem aviso sem nada? Nem um prazo descente?
O Anjo sorri, um sorriso bondoso e perverso, suspira e diz:
- Mas ninguém tem a originalidade de me receber com simpatia neste mundo, ninguém nunca está preparado? Está certo que você só tem 40 anos, mas mesmo os de 80 se recusam...
O homem agarrou mais firme a chave do carro, que afinal encontrara no bolso do paletó, e insistiu:
- Vem cá, me dá uma chance.
O Anjo teve pena, aquele grandalhão estava realmente apavorado. Ah, os humanos... Então teve um acesso de bondade e concedeu:
- Tudo bem. Eu te dou uma chance, se você me der três boas razões para não vir comigo desta vez.
(Passava um brilho malicioso nos olhos azuis e negros daquele Anjo?)
O homem aprumou-se, claro, ele sabia que ia dar certo, sempre fora bom negociador. Mas quando abria a boca para começar sua ladainha de razões, muito mais que três, ah sim, o Anjo ergueu um dedo imperioso:
- Espera aí. Três boas razões, mas... não vale dizer que seus negócios precisam ser organizados, sua família não está garantida, sua mulher nem sabe assinar cheque, seus filhos nada sabem da realidade. O que interessa é você, você mesmo. Por que valeria a pena te deixar por aqui algum tempo?
O segundo trecho fala de como vemos a vida.
“ O grande pessimista colhe todas as notícias ruins do jornal e manda aos amigos cada manhã; acha que o ser humano não presta mesmo, o mundo é mero palco de guerras e corrupção.
O excessivamente otimista acha que a realidade é a das tele-novelas e dos sonhos adolescentes, das modas, das revistas, da praia, do clube. O sensato (não o sem graça, não o chato) sabe que o ser humano não é grande coisa, mas gosta dele, que a vida é luta, mas quer vivê-la; que existem – além de injustiça, traição e sofrimento – beleza e afetos e momentos de explendor. Que se pode confiar sem ser a toda hora traído por quem se ama.
Não tenho problemas em envelhecer, sei que sou bela na maturidade, minha essência é a mesma, somente a pele, os cabelos é que mudaram, mas ainda são desejáveis porque eu os desejo.
Quanto a dar a morte três razões para ficar mais um tempo, eu diria que ainda tenho muito a aprender, muito a ensinar, muito a descobrir sobre a vida e as pessoas e isso implica viver melhor com filhos e amigos.
Grande beijo para todos, que tenhamos uma linda e abençoada semana e que possamos sempre fazer o melhor para que ao envelhecermos tenhamos prazer e alegria de viver e da adolescência, da juventude e da maturidade, tenhamos muitas boas lembranças.